João era um folião incansável, pulava até ao som de radinho de pilha.
Fanático por carnaval, não perdia nada, saía na quinta e só voltava dias
depois da quarta de cinzas. Ia no bloco, na pipoca, camarote...
Fumava, cheirava, injetava, bebia todas e mais uns goles. Beijava muito, pegava muito e muito brigava. Era desses "malhados" com força física e mente tísica. Naquela terça, finzinho de folia, após distribuir muita pancada, uma punhalada certeira o levou ao chão. Sem nem se dar conta do próprio desenlace, abandonou o corpo e seguiu os derradeiros acordes daquele carnaval. Três carnavais passados e o Espírito festeiro prossegue, vampirizando
os desavisados, sorvendo as sensações, saciando-se nos vícios e desregramentos
dos incautos, manipulando violentos e inconsequentes, estabelecendo enfermiças
sintonias em dolorosas simbioses. Como ele, muitos outros, emergem das suas sombras
existenciais, para o "curtir" dos prazeres da matéria. Como "tal homem, tal Espírito",
atrás do trio elétrico, também vai quem já morreu.




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